Descubra as maiores intrigas e segredos das mais ricas e influentes famílias portuguesas. O livro da autoria de Manuel Catarino, conta os perigosos jogos de poder, ódios e vinganças nas famílias dos Espírito Santo, Champalimaud, Joe Berardo, Tomé Feteira, Sousa Cintra, Jardim Gonçalves e mais… Ligue-se a esta novela da vida real com o seu Correio da Manhã.
Em banca 6ª feira, dia 5 de setembro.
O reservado mundo dos negócios e da alta finança, aparentemente bem comportado e elitista, esconde perigosos jogos de poder e sórdidos episódios de mentira, ódio e vingança.
A família Espírito Santo, herdeira de uma centenária tradição na banca, dividida há um ano por uma guerra de sucessão, agoniza em rancor e traições: de um lado, Ricardo Salgado, o líder incontestado há mais de 20 anos e hoje o rosto da desgraça que arrastou o nome da família pela lama da falência; do outro, o primo José Maria Ricciardi, que lhe quis tomar o poder e perdeu. Outros nomes milionários protagonizam histórias picantes de poder, ódio e vingança: os Champalimaud, os herdeiros de Horácio Roque e de Tomé Feteira, Joe Berardo, Sousa Cintra, Jardim Gonçalves, os Queiroz Pereira, os Mello...
“O presidente do BES chamou-o ao último andar da sede do banco, no número 195 da Avenida da Liberdade. Portas ouviu que não podia demitir-se: a queda do Governo seria má para o País…
“O fundador da família Espírito Santo é, presumivelmente, filho de Simão da Silva Ferraz de Lima e Castro, Conde de Rendufe, nomeado Intendente-Geral da Polícia e do Reino, em 1923, e de Maria Angelina Saraiva, uma mulher pobre do Bairro Alto.
“A vida de José Maria é feita de incógnitas e segredos e o início da sua vida empresarial é reflexo disso mesmo. Não se sabe como é que José Maria tem dinheiro para, tão novo, iniciar-se nos negócio.
“O irmão Ricardo está casado com Mary Pinto de Morais Sarmento Cohen, filha do banqueiro inglês Benjamim Abraham Cohen e de Maria da Conceição Pinto de Morais Sarmento. Benjamim tem uma outra filha, Vera, por quem José se apaixona.
“A primeira anotação na agenda de Salazar referente aos encontros com o banqueiro é de 13 de Maio de 1935. O Presidente do Conselho recebe Ricardo Espírito Santo a meio da tarde, pelas 16h45. Assunto: ‘Ponte sobre o Tejo - garantias de colaboração do Estado’ – assim ficou marcado na agenda pelo punho do ditador.
“Maria da Conceição casa-se com João Carlos Roma Machado Cardoso Salgado. Do casamento nascem Maria (Mary) do Espírito Santo Silva Salgado, que casa com João Maria Coelho Campos Poppe e, depois, com João Lobo Antunes; Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado (o sucessor que ficará para a história da família como o banqueiro falhado em cuja presidência o banco desapareceu), que se casa com Maria João Calçada Bastos; Ana Maria, que contrai um primeiro casamento com José Manuel do Souto Barreiros e, depois, com Carlos Simões Dinis; António do Espírito Santo Silva Salgado, que se casa com Angela Fiuza; Rita, nascida em 1949 e que morre em 1951…
“A guerra surda entre Pedro Queiroz Pereira e Ricardo Salgado dura, pelo menos, desde o ano de 2002. O primeiro acusa o segundo de ter posto em marcha um plano oculto para assegurar o controlo da Semapa – a jóia da coroa do grupo Queiroz Pereira.
“Tinha tudo para ter uma vida tranquila: a herança do pai, Carlos Champalimaud, a amizade que o unia ao tio materno, Henrique Sommer, senhor de imensa fortuna, e as ligações ao império industrial da CUF por via do casamento com Maria Cristina Mello, neta de Alfredo da Silva, filha de Manuel de Mello (Alfredo da Silva deixou apenas uma herdeira, Maria Amélia, que se casou com Manuel de Mello).